Artigo sobre o livro “Joana D’Arc: Verdades & Lendas” publicado no blog da historiadora Mary Del Priore

Leia texto sobre o livro de Colette Beaune, Joana D’Arc: Verdades & Lendas (Cassará Editora),  no blog da historiadora Mary Del Priore:

Joana D’Arc, Verdades, Lendas e Polêmicas

por Victor Villon

           http://historiahoje.com/?p=2366

Joana D'Arc Mary Del Priore Victor Villon Cassará

 

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Entrevista com Tiago Elídio tradutor de ”Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”

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Leia a seguir entrevista com Tiago Elídio tradutor e pesquisador de “Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”, publicado pea Cassará Editora em 2012.

Quem foi Pierre Seel?

T.E.: Pierre Seel foi um sobrevivente homossexual dos campos de concentração nazistas. Era um francês originário da região da Alsácia, que foi anexada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Além de ter passado alguns meses no campo de Schirmeck-Vorbrück, foi obrigado a lutar na guerra do lado alemão. Após o final dos conflitos, passou por um grande período de silenciamento, pois as leis anti-homossexuais ainda continuavam em vigor. Portanto, não podia prestar seu testemunho sobre o período da barbárie nazista, pois corria o risco de ser preso novamente. Somente na década de 80, com a revogação dessas leis e a maior visibilidade dos homossexuais, é que pôde contar sua experiência e reivindicar seus direitos como deportado.

 

Como você descobriu a história de Pierre Seel?

T.E.: Durante minha graduação em Letras na Unicamp, fiz uma disciplina chamada “Literatura e História”, ministrada pelo professor Márcio Seligmann-Silva, sobre literatura de testemunho. Um dos livros estudados foi É isto um homem?, de Primo Levi, uma das grandes vozes sobre os campos de concentração nazistas. Então lembrei ter visto uma vez um documentário sobre a perseguição aos homossexuais, Parágrafo 175, e comecei a pesquisar se havia alguma autobiografia escrita por algum sobrevivente homossexual. Foi aí que cheguei à obra de Pierre Seel.

 

Você no seu mestrado, “A perseguição nazista aos homossexuais: o testemunho de um dos esquecidos da memória”, pesquisou sobre “Eu, Pierre Seel, Homossexual Deportado”, você poderia falar um pouco sobre esse seu trabalho?

T.E.: Exato, ao me deparar com a obra de Pierre Seel, percebi que era um assunto ainda pouco estudado no Brasil. Seu livro, publicado originalmente na França em 1994, e traduzido a vários idiomas, ainda não tinha uma versão em português à época, em 2007. Percebi também, que no ambiente acadêmico, falava-se muito da perseguição aos judeus e quase nada em relação aos homossexuais. Portanto, pareceu-me que seria interessante fazer um mestrado sobre o assunto e pesquisar sobre essas questões. Em sua obra, podemos vislumbrar as principais características das narrativas testemunhais, como, por exemplo, a questão da denúncia e da violência sofrida. No entanto, sua homossexualidade traz algumas diferenças. Uma delas é a distância temporal entre o evento e a escrita. Passados muitos anos após o fim do regime, sua narrativa não só faz uma denúncia ao sistema nazista, como também ao período pós-guerra. Em seu livro, narra a dificuldade enfrentada pelos homossexuais ao longo dos anos e a dificuldade de reconhecimento desse grupo como vítima do regime de Hitler. A minha dissertação inclusive vai ser publicada agora em livro pela editora Prismas.

 

Qual é a importância de se ler, nos dias de hoje, o livro “Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”? 

T.E.: A meu ver, de extrema importância. Primeiramente, por questões históricas, para conhecer mais sobre o período nazista, observar que não foram apenas os judeus que foram perseguidos e exterminados pelo regime, mas também homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová, deficientes físicos etc. Segundo, pois, ao trazermos essa memória à tona, pode-se evitar que novos autoritarismos aconteçam. Por fim, ainda hoje, muito homossexuais sofrem preconceito e muitos continuam a ser assassinados pelo simples fato de serem assim. Veja por exemplo o caso de Uganda, que repercutiu bastante nos últimos tempos, pela instauração de uma lei retrógrada que condena os homossexuais. De acordo com o último relatório anual sobre homofobia da ILGA, a Associação Internacional de Gays e Lésbicas, publicado em 2013, a relação entre pessoas do mesmo sexo ainda é ilegal em 76 países. Em alguns dele, usa-se inclusive a pena de morte como condenação. No Brasil, apesar de não haver essa condenação no plano jurídico, ainda há muita homofobia contra LGBTs. De acordo com o levantamento do Grupo Gay da Bahia, em 2013, 312 homossexuais, lésbicas, transexuais e travestis foram assassinados no país. É um número altíssimo.

 

A obra de Pierre Seel é um testemunho de grande importância para se entender o século XX, não somente no que concerne à questão dos direitos dos homossexuais, mas a própria história da Segunda Guerra Mundial. No entanto, “Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”, permanece ainda hoje muito pouco conhecido. Podemos atribuir isso ao preconceito? Você poderia nos falar mais sobre essa questão?

T.E.: Acredito que o preconceito seria, sim, um dos fatores. Muitos pensavam inclusive que os nazistas estavam corretos em relação aos homossexuais. Porém, acredito que o que mais tenha pesado foi o fato de as leis anti-homossexuais terem continuado em vigor após o final da guerra, ao contrário das leis antissemitas, por exemplo, que foram prontamente revogadas. Os homossexuais não podiam testemunhar sobre esse período, pois corriam o risco de serem presos novamente. Além disso, após o término da Segunda Guerra, muitas das narrativas testemunhais sobre o período de perseguição e extermínio nazista foram feitas prioritariamente pelos judeus. Isso trouxe como consequência a grande visibilidade deles como vítimas, e o fato de terem sido vistos por muitos como as únicas vítimas. Até mesmo os termos utilizados para se referir ao genocídio nazista, Holocausto e Shoah, estão diretamente ligados aos judeus. Holocausto, como afirma o filósofo Giorgio Agamben em seu livro O que resta de Auschwitz, significa “sacrifício supremo, no marco de uma entrega total a causas sagradas e superiores”. Desse modo, alguns consideraram o extermínio nazista em relação aos judeus como uma dessas formas de sacrifício do povo judeu, utilizando a palavra com inicial maiúscula. Shoah, por sua vez, significa “‘devastação, catástrofe’ e, na Bíblia, implica muitas vezes a ideia de uma punição divina” (Agamben). Além disso, é uma palavra que vem do hebraico, ou seja, a língua dos judeus, possuindo, assim, um caráter particularista. Portanto, tais termos remetem somente à dimensão judaica, deixando de lado todos os outros perseguidos e mortos. Acredito que por essas razões, a perseguição aos outros grupos, entre eles, os homossexuais, ainda é pouco conhecida.

 

Tiago Elídio é Mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp, pesquisou e traduziu o livro Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual (Cassará Editora, 2012). Foi também um dos responsáveis por trazer ao Brasil a exposição francesa “Condenados: no meu país, minha sexualidade é um crime”, de Philippe Castetbon, que foi exposta na Caixa Cultural de São Paulo, em 2011, e no Centro Cultural Correios de Salvador, em 2012. Atualmente, trabalha como tradutor, escritor e fotógrafo. Em breve, lançará o livro A perseguição nazista aos homossexuais: o testemunho de um dos esquecidos da memória (Editora Prismas).

 

O livro está disponível nas seguintes livrarias na internet:

Livraria da Travessa:

http://www.travessa.com.br/EU_PIERRE_SEEL_DEPORTADO_HOMOSSEXUAL/artigo/c9e0243e-271c-4a6d-8084-7ad072fcd8ff

Livraria Cultura

http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/EU-PIERRE-SEEL-DEPORTADO-HOMOSSEXUAL/29635216

Cia. dos Livros

www.ciadoslivros.com.br/eu-pierre-seel-deportado-homossexual-p502178/